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Saúde

Dormir pouco pode levar neurônios à morte

20/03/2014 às 15:21h

A privação de sono crônica pode ter consequências mais graves para a saúde do que acreditavam os médicos, com a possibilidade de danos físicos irreversíveis e perda de células cerebrais. Pesquisadores norte-americanos fazem essa afirmação em um estudo publicado nesta quarta-feira, dia 19, na revista científica The Journal of Neuroscience.

“Algumas pesquisas em seres humanos mostraram que a atenção e vários outros aspectos da cognição podem não se normalizar após a privação de sono mesmo que a pessoa tenha três dias de sono adequado, para tentar uma recuperação. Isso levanta a hipótese de lesões permanentes no cérebro e nós queríamos descobrir exatamente se a perda de sono crônica fere os neurônios, se a lesão é reversível, e quais neurônios estão envolvidos”, detalha um dos autores do trabalho, o médico Sigrid Veasey, professor associado da Escola de Medicina Perelman (uma das cinco mais importantes dos Estados Unidos) e colaborador da Universidade de Pequim.

Experimento
Para investigar o assunto, os cientistas realizaram um experimento com camundongos. Vários dias depois de seguirem um padrão de sono semelhante ao adotado por pessoas que trabalham em turnos noturnos, com três dias de jornadas noturnas e apenas de quatro a cinco horas de sono durante o dia, os camundongos perderam 25% dos neurônios de uma parte do cérebro, o tronco cerebral.

Segundo Veasey, o trabalho representa a primeira evidência de que a falta de sono pode levar à morte das células cerebrais. Mais estudos são necessários para avaliar se o fenômeno observado nos camundongos se repetirá em humanos. Ele argumenta, contudo, que o estudo reafirma, no mundo científico, que o sono é mais importante do que se acreditava anteriormente.

No passado, observa o pesquisador, “não se imaginava realmente que o cérebro pudesse ser irreversivelmente ferido pela perda de sono”, mas agora “está claro que ele pode ser”.

Doenças
Os cientistas pretendem, em uma próxima etapa, realizar uma análise pós-morte dos cérebros de pessoas que dormiam pouco para investigar a perda de neurônios e os sinais de doenças neurovegetativas, como mal de Alzheimer e Parkinson, uma vez que modelos anteriores em animais já demonstraram que lesões nas células cerebrais podem acelerar o curso dessas doenças.

“Embora não esteja diretamente causando essas doenças, a perda de neurônios pela privação de sono poderia acelerar a neurodegeneração em indivíduos que já têm esses transtornos”, explica Veasey.

Os pesquisadores não declararam conflitos de interesses no estudo. A pesquisa foi financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde (NHI) dos Estados Unidos

 

O conteúdo deste blog tem caráter informativo e não substitui consultas médicas.